Taylor x Fayol

Para entendermos adequadamente uma teoria, é preciso analisar suas origens, ou seja, é preciso conhecer os homens por trás de tais teorias. Confesso que já estudei este tema, mas acho que nunca havia analisado estes homens como seres humanos dotados de cultura, sentimentos e anseios. De fato, apenas havia estudado suas teorias, suas aplicações e implicações. Mas desta vez me ative ao fato de que cada um possuía uma nacionalidade diferente e isto me ajudou bastante para ampliar meus horizontes.

No caso de Taylor, sabemos que ele era um norte-americano, tradicional. Em sua trajetória notamos sua grande capacidade de desenvolvimento intelectual e profissional. Hoje eu diria que Taylor era um grande empreendedor, embora não se houvessem muitas oportunidades para empreendedorismo na época como há hoje. Por ser um tradicional americano, Taylor deve ter sido criado como todo americano deveria ser naquela época, acreditando no sonho americano, onde qualquer um poderia conseguir qualquer coisa. Além disso, o desenvolvimento e o progresso da ciência devem ter influenciado Taylor. Para ele, assim como para a grande maioria dos americanos – e isso ocorre até hoje – a ciência é capaz de explicar tudo. Cientistas americanos até hoje são fascinados pode modelos matemáticos e impessoais. Se algo não pode ser explicado pela ciência, então é porque ainda não há ciência disponível para isso, motivo pelo qual o fato ou fenômeno deve ser estudado exaustivamente, com base em modelos matemáticos até que se chegue a uma conclusão científica e teórica. Com certeza Taylor cresceu ouvindo isto e deixou que isto o motivasse a criar uma ciência para a arte de administrar e produzir. E foi daí que ele começou a mensurar as atividades, tentando enquadrá-las em modelos matemáticos, sistematizando a arte de administrar e produzir, tentando, acima de tudo, alcançar o sonho americano, onde seria possível produzir mais para se ganhar mais.

Já no caso de Fayol, sabemos que ele era um francês. A cultura europeia era uma cultura mais rígida, menos inovadora e libertadora do que a cultura norte-americana. Todo o continente europeu viveu séculos de lutas históricas pelo poder e pela conquista de territórios. É somente justo que Fayol estivesse também mergulhado nas ideias de sua sociedade, onde o poder e o respeito eram algo muito valorizado, diferente da cultura norte-americana onde a valorização estava em se obter mais dinheiro e mais liberdade. E é neste contexto que Fayol desenvolve a sua teoria, focado nas pessoas que exercem ou detém o poder. Ele acreditava que trabalhando o poder, seria possível se conquistar novos territórios, ou seja, a gestão adequada dos recursos por parte dos gestores seria capaz de lhes oferecer a oportunidade de produzir mais e ganhar mais clientes, mais território. É interessante notar que os princípios estabelecidos por Fayol demonstram um certo grau de autoridade e zelo pelo poder, mas, em determinados momentos, demonstram um certo cuidado e respeito para com o ser humano. Falando sobre o princípio da iniciativa, achei interessante o fato de que Fayol disse que o chefe, algumas vezes, teria que abrir mão de seu amor próprio para permitir que os seus subordinados também tivessem a oportunidade de demonstrar sua iniciativa. Talvez isso indicasse um desejo inconsciente de Fayol, como ser humano, de ter sido ouvido ou levado a sério em diversos momentos da sua vida, onde isso não lhe foi permitido simplesmente pela questão de poder e autoridade tão presentes na cultura europeia – questão esta presente até os dias de hoje.

Desta forma, cheguei à conclusão de que devemos analisar suas teorias com admiração e respeito, absorvendo aquilo que ainda é prático para nós hoje em dia e respeitando as ideias destes homens que tiveram a coragem e a audácia de iniciar uma revolução do conhecimento administrativo que poucos teriam a coragem e a ousadia de fazer.

 

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Teoria Clássica – Henri Fayol

Enquanto Taylor preocupava-se com as tarefas executadas pelos operários do chão de fábrica, Fayol estava preocupada com os níveis mais altos da hierarquia de uma empresa, considerando que a gestão e o controle adequados eram a chave para o sucesso da organização.

Fayol foi considerado o pai do processo administrativo, pois foi ele quem definiu uma teoria geral de administração que vinculava os elementos da administração (o que o administrador faz) com os princípios da administração (como o administrador deve fazer).

Sua teoria baseava-se na ideia de que as organizações precisavam se organizar de maneira racional, mantendo o controle através de previsões anuais e decenais, organograma, recrutamento e treinamento cuidadosos e reuniões de chefes de departamento para melhor coordenar as ações.

Para Fayol, a organização e a administração são indispensáveis em qualquer tipo de empresa, não importando qual o seu negócio. Toda empresa, independente de seu grau de complexidade, possui um conjunto de operações básicas, a saber: operações técnicas, operações comerciais, operações financeiras, operações de segurança, operações de contabilidade e operações administrativas.

E é justamente nas operações administrativas para onde as empresas devem voltar sua atenção. De acordo com Fayol, a função administrativa envolve formular o programa geral de ação da empresa, coordenando seus esforços e harmonizando seus atos. Desta forma, Fayol descreve o ato de administrar como Prever, Organizar, Comandar, Controlar e Coordenar, o que ficou conhecido com a sigla POC3.

Fayol também ressalta que não se deve confundir administração com direção. A administração é um ato comum a todos, não é privilégio dos chefes, é dever de todos, ou seja, a administração se reparte com outros membros da empresa. E é por isso que Fayol defendia a ideia de que a administração deveria ser ensinada nas escolas, desde cedo, pois o ato da administração é algo que está presente no cotidiano das pessoas, nas suas relações familiares, nos seus negócios e em tantas outras situações.

Para Fayol, não deveria existir nada rígido e absoluto em administração. Tudo na administração é uma questão de medida, de princípios maleáveis e suscetíveis à adaptação, de acordo com as necessidades de cada empresa.

Fayol destaca 14 princípios que utilizou com mais frequência na administração, a saber:

(1) Divisão do trabalho: o funcionário que executa a mesma tarefa adquire maior habilidade e rapidez e, por isso, produz mais, e, consequentemente, tem um rendimento maior. Toda mudança gera um impacto que reduz a produtividade do funcionário. Este princípio favorece a separação do poder e a especialização da tarefa.

(2) Autoridade e responsabilidade:  a autoridade envolve o direito de dar ordens e de se fazer obedecer. No entanto, não existe autoridade sem responsabilidade. É uma via de mão dupla. Onde alguém recebeu a autoridade para fazer algo, existirá também a responsabilidade por parte desta pessoa em se fazer direito o que lhe foi delegado. Existem diferenças entre a autoridade estatuária, que é aquela que é inerente ao cargo que a pessoa ocupa, e a autoridade pessoal, que é aquela atribuída baseada em características pessoais tais como experiência, inteligência, idade, etc.

(3) Disciplina: objetiva a obediência, assiduidade e assertividade, bem como a demonstração do respeito. É fundamental em qualquer empresa. Pode-se, inclusive, estabelecer um código de regras e condutas aceitáveis e punições e sanções para os que não o seguirem.

(4) Unidade de comando: cada funcionário deve estar sob as ordens de um único chefe, não havendo dualidade de comando, o que seria prejudicial, pois confunde o funcionário e desestabiliza as funções de poder.

(5) Unidade de direção: deve existir um só chefe e um só programa de operações com um só objetivo. Os funcionários devem se empenhar por um objetivo comum, geral. É diferente da unidade de comando, onde os funcionários devem se reportar a apenas um chefe. Na unidade de direção, as forças e os esforços são coordenados em prol de um único objetivo.

(6) Subordinação do interesse particular ao geral: é preciso haver uma conciliação entre o interesse de ambas as partes, porém, o interesse do funcionário nunca pode estar acima do interesse maior da empresa.

(7) Remuneração do pessoal: deve satisfazer tanto empregados quanto empregadores. Procura-se estabelecer remuneração equitativa, encorajando e recompensando o esforço útil.

(8) Centralização: o cérebro é o responsável por direcionar impulsos e informações para todas as partes do corpo. Desta forma, toda empresa deve ter um cérebro, direcionando as informações, ainda que através de seus intermediários.

(9) Hierarquia: cadeia de comando e comunicação distribuída em níveis, desde o nível mais alto até o nível mais baixo, passando por todos os níveis da distribuição de tarefas e das funções de gestão e comando.

(10) Ordem: Um lugar para cada coisa e cada coisa em  seu lugar. Um lugar para cada pessoa e cada pessoa em seu lugar. Este princípio visa garantir que as coisas estejam nos melhores locais possíveis, de acordo com sua utilização e que sejam sempre devolvidas aos mesmos lugares, para garantir a ordem e evitar o desperdício de tempo. O mesmo se dá na esfera social. Cada pessoa deve ter a sua função bem delimitada e cada função deve ter o seu profissional estabelecido. Bastaria apenas alocar as pessoas certas para as funções adequadas.

(11) Equidade: todos devem ser tratados com justiça e igualdade, garantindo maior satisfação dos empregados.

(12) Estabilidade do pessoal: Leva tempo para um funcionário aprender a desempenhar sua função adequadamente e com rapidez. Porém, uma vez aprendida a função, deve-se manter a lealdade, ou seja, permitir que o funcionário demonstre o seu melhor desempenho na função. Demitir o funcionário ou trocá-lo de posição acarretaria prejuízos, uma vez que levaria tempo e recursos para se treinar outro funcionário para a mesma função.

(13) Iniciativa: todos os funcionários devem ser incentivados a demonstrar iniciativa em resolver problemas. Porém, é preciso ter um certo equilíbrio para que a iniciativa não desconfigure a ordem e a hierarquia.

(14) União do pessoal: talvez este seja o princípio mais importante. Sem união e harmonia qualquer empresa irá se deteriorar.

As teorias e os princípios de Fayol revelam, em parte, certo grau de deslumbramento e obsessão pelo poder. Fayol estava realmente preocupado em como controlar e manter o poder sobre os empregados. Por conta disto, Fayol deixou de analisar a empresa como uma entidade que faz parte de um mercado dinâmico e com outras empresas concorrentes, falha esta também evidenciada na teoria de Taylor.

Tanto a Administração Científica quanto a Teoria Clássica, adotam a postura de empresa-máquina, onde tudo deve ocorrer de forma mecânica, calculada, controlada e equilibrada. Desconsideram-se os fatores externos (mercado, sazonalidades, tempestividades e outros) e os fatores internos (desmotivação, descontentamento, problemas de relacionamento e insatisfação com a rotina das atividades).

Vários princípios podem e devem ser aplicados hoje em dia, como salientou o próprio Fayol, com flexibilidade e adaptação de acordo com as circunstâncias. Mas é preciso reconhecer que esta teoria por si só não garante o sucesso de uma empresa nem a gestão adequada de pessoas.