Estilos de Liderança

          Toda organização depende de um controle acurado e de métodos de gestão que permitam ter, ainda que de forma parcial, certo tipo de influência sobre seus colaboradores. Para isto, as empresas utilizam-se de seus gerentes e gestores, como forma de manter o controle e influenciar os colaboradores a agirem de tal forma que a empresa atinja seus objetivos, suas metas, sua razão de existir. Dito de forma simples, sem gestores as empresas não chegam a lugar algum.

          E apesar de alguns gestores terem suas posições garantidas por motivos “inexplicáveis” – ou pelo menos por motivos questionáveis – sabe-se que, em geral, um gestor é escolhido ou promovido de acordo com sua capacidade de liderança. Independente de qual seja a personalidade do gestor, ele precisa saber liderar.

          Liderar envolve muito mais do que mandar e se fazer obedecer. Daí é que entendemos que nem todo líder é gestor e nem todo gestor é líder. Existem líderes em todas as partes, assim como existem gestores que não são líderes também espalhados por todas as organizações. De qualquer forma, vale à pena conhecer melhor os quatro tipos básicos de liderança que encontramos na atualidade. São eles:

  • líder autoritário: é aquele se impõe pelo poder, pela autoridade que tem devido à sua função ou cargo. É interessante notar que nem todo líder autoritário é um ser tirano ou carrasco. Existem muitos líderes autoritários carismáticos e com boa pinta. Fique atento! Normalmente, este tipo de líder esconde sua frustração ou sua falta de habilidade para resolver conflitos ou para motivar a equipe atrás de sua posição elevada na empresa, o que o leva a agir desta forma, através da coerção. Em geral, este tipo de líder é comprometido com as metas e os resultados da empresa, esquecendo, muitas vezes, do fator humano ao traçar seu plano de ação, desconsiderando algumas das necessidades mais básicas de seus colaboradores;
  • líder autoritário-benevolente: é uma variação do primeiro tipo de liderança, que mais se parece com um “pai” do que com um gestor. É do tipo que tem autoridade mas que acolhe a todos, criando na equipe um sentimento coletivo familiar. Porém, como todo bom pai, pode acabar sendo superprotetor e dificultar o crescimento dos membros da equipe, mantendo-os eternamente cativos de seus cuidados e de sua proteção, fomentando sentimentos de infantilidade e incapacidade, afinal, o pai é quem sempre sabe tudo e é ele quem tem o direito de escolher o que os filhos farão;
  • líder consultivo: é o tipo de líder que se preocupa em ouvir atentamente a opinião dos membros da equipe e mantém um canal de comunicação sempre aberto com a equipe. Em geral, são líderes que estão aprimorando sua capacidade de liderança e estão testando diversos modelos de liderança e ação a fim de se identificar melhor com um tipo de gestão que seja compatível com o seu perfil. Porém, cabe uma ressalva, ainda que seu líder seja do tipo consultivo, sempre é bom refletir no que vai dizer e se vai dizer. Nem todos os líderes consultivos estão preparados para utilizar as informações que obtém com seus colaboradores de maneira inteligente e responsável. É sempre bom se certificar de que o seu líder é do tipo que valoriza a diversidade e que sabe dar os créditos a quem realmente merece;
  • líder participativo: é o líder democrático, o que se preocupa em atender aos anseios de toda a equipe, buscando um ponto de equilíbrio entre os objetivos da empresa e os objetivos pessoais de cada colaborador. Porém, é digno de nota que nem todas as empresas permitem que exista este tipo de liderança pois algumas a consideram como uma ameaça ao controle e gestão ou a consideram como uma forma de empoderamento desnecessário do quadro de colaboradores. Vale lembrar que a efetividade do processo de gestão participativa não depende apenas da “boa vontade” do líder, mas envolve outros fatores, como já mencionado, além de ser necessário um grande equilíbrio e foco por parte do líder para que este não se perca em questões menores e desnecessárias, perdendo o controle de toda a sua equipe.

          Todos os quatro tipos de líder apresentam pontos negativos e pontos positivos, dependendo da situação ou do tipo de gestão que a organização preconiza com base em seu código de ética e em sua cultura organizacional. De qualquer forma, é sempre bom conhecer os diferentes tipos de liderança e verificar qual é a melhor forma de agir em todas as situações, quer sejamos líderes, gestores ou subordinados.

          Nunca haverá o modelo ideal ou a verdade absoluta. Afinal, estamos falando de Administração, que é um conceito tremendamente amplo e que é moldável de acordo com a época e o tipo de organização. E é exatamente essa fragilidade petrificada que deve nos mover a conhecer e se aprofundar cada vez mais nos temas que envolvem a gestão de recursos intelectuais. Somos todos seres humanos, em constante mudança, em constante crescimento! E nossa capacidade de liderar e conduzir pessoas se desenvolve na mesma medida em que aprendemos a nos conhecer melhor e a entender o outro ser humano que estão ao nosso lado.

          Sendo assim, o bom líder é aquele que busca o autoconhecimento e que demonstra equilíbrio e sabedoria na sua constante busca pelo conhecimento para entender o que há de mais complexo no Universo: o ser humano!

 

 

 

Referências bibliográficas:

CURTY, Ana Luisa. In: ÁVILA, Célia M. de. Gestão de Projetos Sociais. 3ª Ed. São Paulo: AAPCS, 2001.

Taylor x Fayol

Para entendermos adequadamente uma teoria, é preciso analisar suas origens, ou seja, é preciso conhecer os homens por trás de tais teorias. Confesso que já estudei este tema, mas acho que nunca havia analisado estes homens como seres humanos dotados de cultura, sentimentos e anseios. De fato, apenas havia estudado suas teorias, suas aplicações e implicações. Mas desta vez me ative ao fato de que cada um possuía uma nacionalidade diferente e isto me ajudou bastante para ampliar meus horizontes.

No caso de Taylor, sabemos que ele era um norte-americano, tradicional. Em sua trajetória notamos sua grande capacidade de desenvolvimento intelectual e profissional. Hoje eu diria que Taylor era um grande empreendedor, embora não se houvessem muitas oportunidades para empreendedorismo na época como há hoje. Por ser um tradicional americano, Taylor deve ter sido criado como todo americano deveria ser naquela época, acreditando no sonho americano, onde qualquer um poderia conseguir qualquer coisa. Além disso, o desenvolvimento e o progresso da ciência devem ter influenciado Taylor. Para ele, assim como para a grande maioria dos americanos – e isso ocorre até hoje – a ciência é capaz de explicar tudo. Cientistas americanos até hoje são fascinados pode modelos matemáticos e impessoais. Se algo não pode ser explicado pela ciência, então é porque ainda não há ciência disponível para isso, motivo pelo qual o fato ou fenômeno deve ser estudado exaustivamente, com base em modelos matemáticos até que se chegue a uma conclusão científica e teórica. Com certeza Taylor cresceu ouvindo isto e deixou que isto o motivasse a criar uma ciência para a arte de administrar e produzir. E foi daí que ele começou a mensurar as atividades, tentando enquadrá-las em modelos matemáticos, sistematizando a arte de administrar e produzir, tentando, acima de tudo, alcançar o sonho americano, onde seria possível produzir mais para se ganhar mais.

Já no caso de Fayol, sabemos que ele era um francês. A cultura europeia era uma cultura mais rígida, menos inovadora e libertadora do que a cultura norte-americana. Todo o continente europeu viveu séculos de lutas históricas pelo poder e pela conquista de territórios. É somente justo que Fayol estivesse também mergulhado nas ideias de sua sociedade, onde o poder e o respeito eram algo muito valorizado, diferente da cultura norte-americana onde a valorização estava em se obter mais dinheiro e mais liberdade. E é neste contexto que Fayol desenvolve a sua teoria, focado nas pessoas que exercem ou detém o poder. Ele acreditava que trabalhando o poder, seria possível se conquistar novos territórios, ou seja, a gestão adequada dos recursos por parte dos gestores seria capaz de lhes oferecer a oportunidade de produzir mais e ganhar mais clientes, mais território. É interessante notar que os princípios estabelecidos por Fayol demonstram um certo grau de autoridade e zelo pelo poder, mas, em determinados momentos, demonstram um certo cuidado e respeito para com o ser humano. Falando sobre o princípio da iniciativa, achei interessante o fato de que Fayol disse que o chefe, algumas vezes, teria que abrir mão de seu amor próprio para permitir que os seus subordinados também tivessem a oportunidade de demonstrar sua iniciativa. Talvez isso indicasse um desejo inconsciente de Fayol, como ser humano, de ter sido ouvido ou levado a sério em diversos momentos da sua vida, onde isso não lhe foi permitido simplesmente pela questão de poder e autoridade tão presentes na cultura europeia – questão esta presente até os dias de hoje.

Desta forma, cheguei à conclusão de que devemos analisar suas teorias com admiração e respeito, absorvendo aquilo que ainda é prático para nós hoje em dia e respeitando as ideias destes homens que tiveram a coragem e a audácia de iniciar uma revolução do conhecimento administrativo que poucos teriam a coragem e a ousadia de fazer.