Meritocracia e Gestão do Desempenho

INTRODUÇÃO

            Os sistemas econômicos cada vez mais complexos exigem que as empresas entreguem resultados cada vez maiores e mais elaborados, de acordo com a complexidade do sistema. O consumidor moderno exige cada vez mais do sistema. E as empresas, cobram cada vez mais de seus funcionários, exigindo a excelência e a qualidade sempre.

            Diversos métodos para se aferir o resultado e o desempenho de um indivíduo têm sido testados, exaustivamente, na busca do melhor método para avaliar aquilo que o indivíduo realmente é e o quanto ele consegue produzir de resultado para uma empresa.

            A Meritocracia é um sistema amplamente utilizado, inclusive no âmbito governamental e do Estado. Aliada à Gestão do Desempenho, a Meritocracia desponta como uma ferramenta interessante para medir desempenho e resultados, sobretudo àqueles relacionados à promoção e progressão de carreira.

 

1. MERITOCRACIA

          Meritocracia vem do latim mereo e seu significado está relacionado ao merecimento, à obtenção de algo através de méritos próprios. Envolve ser digno de alguma coisa, ganhar algo de maneira legítima. Desta forma, meritocracia deriva de mérito, de valor, algo positivo, admirável, desejável.

         A sociedade aristocrática designava cargos e funções baseada no sangue e na carne, como retribuição de favores, não privilegiando o mérito. O sistema baseado na burocracia privilegiava o estrito cumprimento das regras quando é conveniente a quem cumpre as regras sendo, portanto, um sistema que pode dificultar as coisas em determinados momentos em função do excesso de regras, ao passo que pode facilitar algumas situações se há interesse para quem está no papel de cumpridor das regras.

         A Meritocracia foi introduzida pela primeira vez no Brasil através do próprio Estado, no surgimento dos concursos públicos para preenchimento de vagas nas esferas públicas. O objetivo era combater a hereditariedade de cargos e o nepotismo, fazendo prevalecer atributos e competências que não estivessem relacionados às influências de poder ou de troca de favores e de relações sanguíneas. Com o surgimento dos concursos públicos, imaginava-se que a sociedade passaria a valorizar mais os méritos de uma pessoa do que as suas ascendências sanguíneas e políticas.

         Com o aumento do número de vagas nas empresas privadas, percebeu-se que a Meritocracia também deveria ser utilizada como sistema de avaliação e de recrutamento, não sendo exclusividade das esferas públicas. São muitas as empresas que adotam hoje estes critérios para reconhecimento e valorização de seus funcionários, abandonando sistemas burocráticos e aristocráticos. A globalização trouxe ao mercado uma dinâmica jamais esperada, fazendo com as pessoas reivindicassem seus direitos e passassem a valorizar sistemas mais justos e coerentes, o que obriga as empresas a adotarem critérios de avaliação cada vez mais transparentes e humanizados.

         Ainda assim, é possível ver o sistema da burocracia operando em muitos locais, sobretudo nas esferas públicas, gerando insatisfação aos clientes e dificuldades de trabalho para os servidores. Em algumas empresas privadas também é possível observar traços marcantes da burocracia e da aristocracia, o que representa um endurecimento nas relações entre colegas de serviço e no relacionamento entre o cliente e a empresa.

 

2. CONTEXTO SOCIAL

            A Meritocracia está intimamente ligada com conceitos históricos e culturais de uma nação. O conceito de mérito varia de sistema para sistema. Os critérios associados à avaliação do mérito são variáveis e dependem de aspectos históricos e culturais. Algo que é considerado justo e igualitário em determinado local pode não ter o mesmo prestígio em outro local. As diferenças são evidentes.

            No Brasil, a cultura e a História sempre valorizaram as pessoas que possuíam poder, dinheiro e prestígio social. Criou-se uma cultura de escravos, onde todos – escravos, livres, negros e brancos – aprenderam a valorizar seus “senhores de engenho”, conferindo a eles mais honra do que de fato mereciam, valorizando até mesmo seus atos mais cruéis e inescrupulosos, desvalorizando sobremaneira o ser humano.

            O brasileiro acostumou-se a ser o capacho de outra pessoa, a fazer o mínimo necessário em cada situação, pois seus esforços nunca seriam notados ou recompensados, a contentar-se com o mínimo, a conformar-se com as situações da vida. No entanto, algo começou a mudar na ocasião da abolição da escravatura, ainda que o brasileiro não houvesse percebido. Os novos ventos de liberdade arejaram as mentes de alguns poucos brasileiros que entenderam que eles não eram mais escravos e que, daquele momento em diante, teriam que se destacar para sobreviver.

            É fato que ainda hoje muitas pessoas vivem debaixo da cultura do escravo, sem visualizar perspectivas de melhora ou oportunidades para o seu futuro. Mas há uma grande multidão de pessoas que sabe o valor que têm e lutam para que os sistemas sejam cada vez mais flexíveis e valorizem cada vez mais o ser humano, seja ele funcionário ou cliente de uma empresa.

 

3. GESTÃO DE DESEMPENHO

            Avaliar uma pessoa é uma tarefa difícil. As pessoas são diferentes e não podem ser comparadas entre si, com uma medida métrica, rígida e impessoal. Conforme já mencionado, os critérios de avaliação de mérito são variáveis. Desta forma, a grande questão é: Como definir critérios de avaliação de mérito ou desempenho adequados? Quais critérios serão utilizados para avaliar o mérito das pessoas?

            Cada empresa traz consigo uma cultura, uma história, seus valores, sua missão, sua visão. Estes fatores influenciam diretamente o conceito de avaliação, pois delineiam quais são as características e as qualidades valorizadas pela empresa.

            É fato que a avaliação – sobretudo quando não é bem conduzida – causa desconforto e dissídio entre os colegas de uma mesma empresa. Muitas vezes os critérios de avaliação não revelam ser meritocráticos e sim, aristocráticos. Diversas vezes as avaliações parecem privilegiar alguns em detrimento de outros. A competição através da meritocracia adquire assim um contorno desigual, no qual as pessoas são diferentes, trazem histórias de vidas diferentes, criações diferentes e são obrigadas a competir – ou ser avaliadas – de igual para igual.

            Diante deste contexto, faz-se necessário estabelecer critérios claros, objetivos e factíveis, a fim de se realizar uma avaliação verdadeiramente meritocrática. Além disso, é necessário que o sistema forneça uma base comum igualitária a todos os seus membros porque do contrário a meritocracia acabará por se transformar em aristocracia, na medida em que nem todos os componentes do sistema possuem embasamento igualitário para concorrer amplamente a determinados cargos ou funções, o que favorece apenas alguns componentes do sistema, em detrimento de outros menos privilegiados, configurando assim um quadro aristocrático disfarçado de meritocrático.

            No âmbito organizacional, porém, é possível avaliar as pessoas de igual para igual pois o ambiente é o mesmo, as ferramentas são as mesmas, as oportunidades que a empresa oferecem são as mesmas. No entanto, as pessoas costumam ter medo de avaliações organizacionais, sobretudo por questões culturais relacionadas à desigualdade de oportunidades. É preciso que a empresa desvincule a avaliação à ideia de punição, onde alguém será promovido e os demais serão punidos. A avaliação deve ser vista como ferramenta para melhor alocar – ou realocar – as pessoas em suas devidas funções, além de ser uma ferramenta de autoconhecimento e de crescimento pessoal e profissional, independente de haver promoção para um cargo hierárquico mais alto ou não.

           

CONCLUSÕES

            Um sistema igualitário é aquele que fornece a todos os indivíduos as mesmas condições e ferramentas para o seu desenvolvimento. Ainda que este panorama não seja atualmente possível na sociedade atual, ele é possível dentro das empresas. As empresas são sistemas que podem oferecer treinamento e oportunidades iguais a todos os seus membros, cabendo a cada indivíduo a tarefa de aproveitar o que a empresa lhe oferece ou não. Os modelos burocráticos e aristocráticos devem ser abandonados, pois geram desconfortos tanto para os funcionários como para os clientes.

            Os métodos de avaliações organizacionais adotados pela empresa fazem parte da sua estrutura de Gestão de Desempenho e devem sempre ser baseados na Meritocracia, na valorização do ser humano e de suas qualidades. Porém, é preciso cuidado para que os métodos de avaliação não se transformem em métodos de punição.

            Os novos modelos econômicos e sociais sugerem que sejam adotadas técnicas de avaliação cada vez mais claras, dinâmicas, individualizadas e transparentes, como forma de se evidenciar a Meritocracia e a valorização das competências individuais e coletivas. Que em um futuro breve as pessoas sejam cada vez mais valorizadas por aquilo que são, por suas qualidades, por seus esforços, por seus méritos!

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

BARBOSA, Lívia. Desafios da Meritocracia. Disponível em: <http://youtu.be/UoR8p_NJBB4&gt;. Acesso em: 29 Ago. 2013.

BARBOSA, Lívia. O público, a igualdade e o mérito. Disponível em: <http://youtu.be/OMF5hX_c1DE&gt;. Acesso em: 29 Ago. 2013.

DAMATTA, Roberto. Meritocracia e Gestão de Desempenho. Disponível em: <http://youtu.be/it-TV1q6ieY&gt;. Acesso em: 29 Ago. 2013.

ESTEVES, Sofia. O que é meritocracia? Disponível em: <http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/carreira-em-geracoes/2013/02/18/o-que-e-meritocracia/&gt;. Acesso em: 29 Ago. 2013.

 

 

 

 

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Opt-Out

Você sabe o que é Opt-Out?

Parece algo complicado, mas, na verdade, é um conceito bem simples de se entender.

Opt-Out é o termo utilizado para descrever o movimento que alguns profissionais fazem para fora da empresa, através de pedidos de demissões, diminuição da carga horária, etc. Trata-se de um “desligamento” (temporário ou definitivo) de suas atividades organizacionais.

Um exemplo disso é uma mãe que abre mão de subir alguns degraus na hierarquia de uma empresa para poder dar mais atenção a seu filho. Outro exemplo seria o de alguém que deixa seu emprego para poder fazer um novo curso ou até mesmo para empreender em um novo ramo de atividade. Simples, né?! Opt-Out é, então, a saída do modelo tradicional e formal de trabalho para um modelo mais flexível ou completamente diferente do anterior.

Achei um artigo interessante sobre Opt-Out e deixo o link aqui, para quem quiser saber mais sobre o assunto:

http://www.aprendervirtual.com.br/noticiaInterna.php?ID=57&IDx=1042

O ponto em questão é: as pessoas hoje se dão conta de que precisam viver socialmente e não apenas trabalhar!

Embora possa parecer um comportamento arriscado ou imprudente, a verdade é que, desligar-se de algumas situações na vida é um ato de coragem muitas vezes necessário. Nem sempre é o dinheiro que traz felicidade! Às vezes se vive melhor com menos, desde que você se sinta feliz com suas escolhas.

Vivemos em um mundo rodeado de incertezas. Quem pode lhe garantir que seu emprego é algo seguro? Ninguém! Vemos pessoas que trabalham uma vida inteira para determinada empresa e, em algum momento, da noite pro dia, são demitidas, sem explicação, sem razão. Ou então, aquele típico caso da pessoa que só pensava em trabalhar e de repente morre, sem ter feito nada para si durante a vida inteira. Então, surge a questão: será que toda a dedicação valeu à pena?

Precisamos valorizar mais nossa vida pessoal, nossos objetivos, nossos sonhos. Precisamos viver!

As empresas já estão se apercebendo deste fato e estão, lentamente, valorizando mais os aspectos humanos de seus funcionários. Muitas empresas já perceberam que a palavra de ordem é FLEXIBILIDADE! As pessoas têm sonhos, têm ambições… E nem sempre podem ter o privilégio de fazer algo por si mesmas. Cabe aos gestores das empresas perceberem isto! E permitirem que seus funcionários sonhem…

Dar tempo a seu funcionário para que ele viva é o melhor presente que você gestor pode dar!

Filantropia x Responsabilidade Social

            Fazer o bem para outra pessoa é algo que já foi moda, mas por um tempo sumiu da mídia, ofuscado por uma avalanche de ideias individualistas e autocentradas, onde as pessoas foram incentivadas a colocar a si mesmas em primeiro lugar e, muitas vezes, desconsiderar a opinião alheia. Porém, a própria solidão do auto centrismo mostrou à humanidade que compartilhar e divulgar o bem faz bem! E foi nessa crescente onda de boas ações que as empresas se viram diante de um dilema: se ganhamos tanto com os lucros obtidos através das vendas de nossos produtos, será que devemos ajudar outras pessoas também?

            Algumas empresas começaram a praticar ações isoladas de caridade e ajuda humanitária, como forma de compartilhar parte dos lucros obtidos com os menos favorecidos. E o que era para ser algo discreto e beneficente, tomou rumos de ação de marketing, na medida em que as ações caridosas praticadas pelas empresas podiam ser espalhadas como notícias e incentivos ao consumo por parte dos consumidores que gostariam de ajudar alguém, mas não dispunham dos meios necessários para isso. O ato de comprar e consumir passou então a ter contornos de ação beneficente, na medida em que cada produto era responsável por gerar certa parcela de lucro para a empresa, lucro este que poderia ser revertido em projetos e programas de ajuda para os menos favorecidos.

            E então nos vemos hoje diante de outro dilema: afinal, qual a diferença entre filantropia e responsabilidade social? Será que todos os atos de filantropia praticados por uma empresa podem ser vistos como responsabilidade social? Ou será que os atos de responsabilidade social praticados por uma empresa podem ser vistos como ações filantrópicas?

            Filantropia é descrita, pelo Dicionário Houaiss[1], como “profundo amor à humanidade; desprendimento, generosidade; caridade”. Desta forma, podemos perceber que filantropia é o ato de ajudar alguém ou uma comunidade em específico, através de ações caridosas. Estas ações incluem ajudas financeiras e doações de objetos e outros itens de necessidade básica. A filantropia envolve sempre um forte senso de dever moral por parte de quem a pratica, seja pessoa física ou jurídica (empresa ou outra organização). Trata-se portanto de uma ação de assistencialismo, sem qualquer tipo de planejamento ou espera de resultados em troca.

            Por outro lado, a Responsabilidade Social pode ser definida como um conjunto de ações que visam promover a melhoria da qualidade de vida de determinados grupos de pessoas ou de uma comunidade, através de ações voltadas para a educação, produção e distribuição de renda, além de envolver também aspectos ambientais e sociais relacionados com a sustentabilidade e rentabilidade do negócio da empresa. Nota-se, portanto, que a Responsabilidade traz consigo um forte senso de dever cívico, no sentido de cuidar da sociedade e do meio-ambiente, não apenas o dever moral de fazer o bem para o próximo. A própria palavra responsabilidade[2] traz consigo a ideia de responder pelos seus atos ou pelos atos de outra pessoa. E é neste sentido que a empresa pode ser responsável, por responder pelos seus atos de produção e exploração dos recursos naturais e sociais de uma comunidade. Na medida em que a empresa utiliza a mão de obra existente na sociedade e se vale de seus recursos naturais para produzir seus produtos e serviços, ela passa a ter uma responsabilidade para com o seu entorno. E é exatamente aqui que a empresa pode atuar diretamente para minimizar os impactos de sua atividade. Como? Através de programas de treinamentos e educação para a comunidade, a fim de produzir mão de obra qualificada para ser absorvida pelo mercado, através de programas de manejo de resíduos, produção sustentável e preservação do meio ambiente.

            Se por um lado a Filantropia traz ajuda imediata a determinado grupo de pessoas, por outro, a Responsabilidade Social traz efeitos de longo prazo para uma comunidade inteira. Além do mais, a Responsabilidade Social visa a sustentabilidade e a sobrevivência da empresa no mercado, enquanto a Filantropia visa resolver problemas pontuais e emergenciais, não visando à sobrevivência do negócio nem a perpetuação da marca.

            Tanto a Filantropia como a Responsabilidade Social rendem hoje uma boa imagem para as empresas e são capazes de alavancar as vendas, considerando um público cada vez maior de consumidores que buscam empresas que “devolvem” parte dos seus lucros para a sociedade. Uma mesma empresa pode ter ações de filantropia e de responsabilidade social, pois uma não elimina a outra, nem exclui a necessidade e a possibilidade de se implantarem programas e ações específicos. De qualquer forma, cada empresa deve analisar o que é melhor para si: dar o peixe ou ensinar a pescar!

 

Priscilla Ramos de Moraes Braga

Como a ética (ou a falta dela) afeta os negócios no Brasil

Manifestações contra a corrupção eclodiram Brasil a fora, numa crescente onda de clamores por melhores condições de vida, por uma sociedade mais justa, por um governo que cumpre a palavra “democracia”. Centenas de milhares de pessoas representando milhões de brasileiros, numa tentativa de mostrar que os governantes precisam estar atentos aos anseios do povo. Seria tudo muito interessante e realmente emocionante se não fosse um fato: as mesmas pessoas que clamam por direitos, muitas vezes, deixam de cumprir seus deveres.

Vivemos em um país onde a sonegação de impostos é assustadora. Talvez até muito maior do que os números revelam. Exigir ética do governo é nosso direito e também é um dever. Mas há de se convir que agir de forma ética no cotidiano também é um dever do cidadão. Não adianta clamar por mais dinheiro para educação e saúde pública, quando você, contribuinte, não declara e não recolhe todos os seus impostos. Não vem ao caso aqui o crescente aumento dos escândalos de corrupção e roubos nos cofres públicos. Mas vem ao caso aqui exatamente o comportamento ético e a moral do povo brasileiro.

Há muito que se pensar neste assunto. Se por um lado temos um Estado que deixa de investir adequadamente parte de seus recursos sob pretextos de organizar eventos esportivos ou outros eventos sociais ou qualquer outra coisa que nos foge à razão, por outro lado temos uma economia informal movimentando cerca de 18% do PIB, segundo o Instituto ETCO[1], o que representa cerca de R$ 748,4 bilhões movimentados sem o devido arrecadamento de impostos, sem os devidos direitos trabalhistas assegurados. E temos que lembrar que uma boa parte dos recursos obtidos no mercado informal acaba nas mãos de criminosos, traficantes de mercadorias, contrabandistas e produtores de mercadorias falsas ou vendedores de mercadorias de origem duvidosa, o que nos leva a pensar que estes fatos contribuem para a diminuição dos empregos formais nas indústrias devido ao consumo de produtos paralelos.

Exigir ética envolve agir com ética. É preciso avaliar até que ponto nossas ações cotidianas são éticas. Como a nossa ética – ou a falta dela – contribui para construir o país em que queremos morar? Será que nossas ações contribuem para uma maior arrecadação de impostos que poderiam ser utilizados nas áreas mais preocupantes como saúde pública e educação? Ou será que nossas “pequenas sonegações” contribuem para um esquema de contrabando e ações criminosas que nos fogem ao conhecimento?

É fato que o Brasil é um dos países com maior carga tributária do mundo, porém é necessário avaliar que isto ocorre, em parte, porque também temos um alto índice de sonegação de impostos. Se todos os impostos fossem pagos adequadamente, o governo não precisaria aumentar a incidência de tributação sobre determinados produtos ou atividades, uma vez que ele teria de onde obter recursos necessários para executar seus planos de políticas públicas. É uma balança muito fina e que precisa de um equilíbrio muito justo. Quando você paga seus impostos, você tem direito de exigir mais do governo!

Será que a corrupção dentro do governo não é uma forma de o governo responder aos nossos atos civis delimitados por nossa falta de ética? Não é o caso de fazer apologia a corrupção, longe disso. Mas o fato é que o ser humano muitas vezes age de acordo com aquilo que ele recebe. Então a corrupção no governo é só uma forma maior, mais visível e mais ampla de não ser ético. As formas menores e menos visíveis acontecem todos os dias, a cada segundo, sem que possamos notar. E muitas vezes estes pequenos delitos são cometidos por nós mesmos, cidadãos de bem.

Vale lembrar que a ética não deve ser praticada apenas pelo governo ou pelo cidadão comum, mas também deve ser praticada corporativamente, no âmbito das empresas privadas. E novamente o assunto dos impostos vem à tona. Quando as empresas privadas recolhem seus impostos de maneira legal e adequada, a população é beneficiada. E, mais uma vez, entra o consumidor na história. Que tipo de produto você prefere comprar? Você conhece os fabricantes dos produtos que consome? É muito interessante tirar tempo para conhecer a política e a cultura da empresa que fabrica ou fornece aquilo que você consome. Você está disposto a pagar um pouco a mais por um produto de boa procedência, que vem de uma empresa honesta e ética, que registra seus trabalhadores, garantindo seus direitos trabalhistas, que preserva o meio-ambiente, que oferece projetos sociais como forma de garantir a sustentabilidade econômica do negócio? Ou você prefere comprar aquele produto barato, sem nota, sem procedência, provavelmente vindo dentro de um container, fabricado por pessoas de outros países que ganham salários miseráveis, até menores do que um pagamento de bolsa família, que trabalham em condições escravas sob a maquiavélica forma de emprego formal? Você está disposto a pagar o FGTS da sua empregada doméstica? Ou você acha que empregada não merece ter os mesmos direitos de qualquer outro trabalhador?

Ser ético exige brio, exige moral, exige caráter. Ser ético é muito mais do que ir às ruas exigir os seus direitos. Ser ético é acordar todos os dias preparado para cumprir os seus deveres civis. Ser ético é saber que só se pode exigir algo quando você também faz algo. Se queremos que a ética permeie os negócios, precisamos deixar que ela conduza a nossa vida.

O lixeiro e o Neymar

          Nos últimos dias, vimos a população se manifestando, protestando, saindo para as ruas para exigir os seus direitos, para exigir mais dos governantes e para mostrar que já estamos cansados de tanta exploração e abuso social. Mas algo me deixou intrigada! Enquanto uma grande maioria se indignava com o dinheiro gasto na Copa do Mundo, pensei por um momento no exorbitante salário pago aos jogadores de elite, não só em nosso país, mas em tantos outros. E fiquei pensando “Por que ninguém reclama disso também?”.

          Enquanto os professores ganham salários miseráveis, os jogadores de futebol estão ganhando salários milionários, todos os meses, sem formação alguma. Mas contra isso ninguém quer protestar! As pessoas se importam muito com o que o governo faz com o dinheiro público. E acho isso válido! Mas será que não é hora de avaliarmos também a iniciativa privada? O que as empresas privadas fazem com o seu dinheiro? De onde os clubes de futebol tiram tanto dinheiro para manter seus jogadores, cada um com um salário maior do que o outro? Por que não investir uma parte desse dinheiro na população que torce pro time também, não é mesmo? Enquanto o lixeiro, sim, o lixeiro, esse cara aí que passa na frente da sua casa e você nem nota, ganha um único salário mínimo, o Neymar está ganhando milhões de reais por mês e vai ganhar ainda mais agora que vai para a Europa. E o que o Neymar produz para a nossa sociedade além de um cabelo diferente a cada semana e que será imitado por milhares de jovens? Nada! Mas o lixeiro, esse que acabou de passar em frente a sua casa enquanto você não via, levou tudo aquilo que você não queria mais, contribuiu para a sua higiene e para a sua saúde. E se o lixeiro não passasse? E se ele não levasse seu lixo embora? O que você faria?? Seria um caos completo! Mas o lixeiro não está sendo reconhecido. Na verdade, o lixeiro muitas vezes é ignorado! E sabe por quê? Porque ele é lixeiro! Ele tem cheiro de lixo, ele está sempre sujo. Mas ele só está assim para ajudar a mim e a você! Ele pode ser um cara tão inteligente ou até mais inteligente do que você. Mas ele está ali, se submetendo a um trabalho que é considerado indigno pela grande maioria. Mas, na verdade, este é um trabalho sensacional. Registro aqui toda a minha admiração e o meu respeito por aqueles que fazem da minha vida uma vida limpa, uma vida digna e saudável. E digo mais, vocês merecem um salário maior, muito maior. Merecem muito respeito e merecem uma manifestação também! Afinal, vocês produzem para a nossa sociedade muito mais do que muita gente por aí, escondida atrás de livros e belas aparências.

          Realmente é revoltante! Se você é um brasileiro que acha que sabe fazer protesto, acho que já está na hora de você rever os motivos pelos quais você quer protestar. Exija algo que afete sua vida diretamente, que afete a vida de sua família, que afete a vida de seus amigos. Sim, eu tenho um amigo que é lixeiro. E eu gostaria que ele tivesse um salário mais digno, independente de existir a Copa do Mundo ou não. Acho que isso é possível! Mas enquanto isso as pessoas estão preocupadas em saber o que vai acontecer com o Neymar… É de se indignar!

Os 3 tipos de serviço

Encontrei esta frase na internet e achei muito interessante. Vejam só…

Aqui nós fazemos 3 tipos de trabalho: bom, rápido e barato.
Se é bom e rápido, não pode ser barato.
Se é rápido e barato, não pode ser bom.
Se é bom e barato, não pode ser rápido.

É engraçado, mas é real. Atualmente as empresas acabam tendo que decidir por seguir uma linha ou outra. É difícil conseguir produzir rápido, com qualidade e com preço acessível. Ou será que é possível? Será que os métodos de produção evoluíram a tal ponto de garantir alta produtividade com baixo preço e qualidade acima da média?

São questões que toda empresa deve analisar, buscar dentro de seu DNA qual o tipo de serviço deseja oferecer. Desta reflexão é que surge a visão e a missão da empresa.

É óbvio que se pode sim oferecer um produto ou serviço que englobe os três conceitos. Mas será o bastante para o cliente? Ou será que o tipo de produto ou serviço depende da visão do cliente? Que tipo de cliente sua empresa pretende agradar? O que deseja um serviço rápido? O que deseja um serviço bom? O que deseja um serviço barato? Ou o que deseja um serviço rápido, bom e barato?

Vale à pena refletir!