Incongruências de Natal

“A Farmácia Fulana de Tal deseja a todos os seus clientes um ano cheio de saúde e alegria”

Estas foram as palavras que me fizeram rir por um momento e refletir pelo resto do dia. Como assim? Uma farmácia desejando a todos os seus clientes que tenham saúde? Não seria mesmo muita hipocrisia, considerando-se o fato de que a sobrevivência econômica das farmácias depende justamente da falta de saúde de seus clientes?

A princípio pareceu-me engraçado. Após rir um pouco, pareceu-me hipócrita! Desejar saúde quando no fundo se deseja que as pessoas estejam cada vez mais doentes… Como é forte o espírito natalino! Faz as pessoas desejarem algo que elas mesmas não desejam.

É fato que todos, em geral, desejamos que as pessoas sejam felizes, que tenham dinheiro, que tenham saúde e muitas alegrias. Mas isso não deveria ser desejado só uma vez por ano! Isso deveria ser desejado todos os dias… Afinal, a vida acontece todo dia! A vida não acontece uma vez por ano, no Natal ou no Ano Novo. A vida é agora, foi ontem, é hoje, será amanhã, independente do dia do ano em que estamos. E a parte realmente irritante do fim do ano é esse falso desejo moralista de boas coisas para todos, quando no fundo as pessoas apenas estão sendo egoístas, imaginando que desejando boas coisas para outras pessoas lhe trarão também boas coisas. A pessoa que te sacaneou o ano inteiro, tem a paúra de apertar sua mão, dar-lhe um abraço e dizer “Te desejo tudo de bom nesse ano que se inicia”. Então, né?! Deseja-me tudo de bom? Aja desta maneira! E teremos mesmo tudo de bom, não só eu, mas você também. Cabe aqui uma reflexão muito séria, por parte de cada um. O que eu tenho feito para que as pessoas tenham mesmo muita alegria, saúde e dinheiro? Será que eu sou a contribuição que o mundo precisa para se tornar um lugar melhor? Será que já venci meus próprios medos e preconceitos e passei a distribuir sorrisos e alegrias por onde eu passo? Ou será que sou apenas movido pelo tal espírito natalino, para não ser diferente das outras pessoas? Será que estou apenas jogando com o sentimento das outras pessoas para parecer uma pessoa boazinha?

E pensei sobre isso durante um momento… Até que veio-me novamente a propaganda da farmácia! E decidi fazer uma análise do ponto de vista de uma administradora de empresas, de uma pessoa preocupada com o marketing e com todas as suas implicações, sobretudo no que diz respeito ao neuromarketing, esse que mexe com cada um de nós de maneira muito sutil e subjetiva.

Seria esse um erro de marketing? Será que parecer hipócrita teria mesmo o objetivo pretendido? Será que desejar saúde quando se vive da doença pareceria muito sincero? Será que causaria comoção ou repulsa aos clientes?

Pensei por um momento que a pessoa que criou esta publicidade realmente não faz ideia do que está por trás do tema. Provavelmente foi só mais uma pessoa movida pelo sentimento natalino, contagiada pelo todo, impelida a desejar boas coisas a todos, sem fazer suas próprias reflexões sobre o tema. Mas isso não vem ao caso. A minha grande inquietação era no que diz respeito à credibilidade da publicidade. Afinal, uma publicidade errada pode manchar a reputação de uma empresa. Não acredito que a Farmácia Fulana de Tal estivesse preocupada com a sua reputação, considerando-se o conteúdo da publicidade. De qualquer forma, é algo que sempre deve ser analisado. Até que ponto a minha publicidade pode ajudar ou prejudicar a minha empresa?

Será que desejar saúde a todos foi uma jogada certeira ou mais um erro de marketing? Difícil dizer sem conhecer a pessoa por trás do marketing da empresa. Muito provavelmente foi só mais uma publicidade sem conteúdo algum, onde nada foi pensado, apenas foi dito. Mas não precisaria ser assim! Desejar saúde quando se vende a doença em comprimidos, pode ser sim uma grande jogada de marketing. Aliás, pode ser a melhor delas! O cliente não sabe que por trás da aparente hipocrisia, pode existir sim um mecanismo inteligente e sutil para alavancar as compras e gerar fidelização. O cliente não percebe que aquele simples desejo de que tudo seja melhor no ano novo gera dentro de si um sentimento de carinho, respeito e admiração, seja por quem for. O cliente não sabe que as suas carências são transferidas para essa simples frase, que no fundo não diz nada, mas significa tudo. Suas necessidades mais básicas e primárias são satisfeitas com um simples desejar de boas coisas. Todos nós estamos carentes de bons desejos, de sonhos, de bons sentimentos, de coleguismo, de sentimntos humanos. Estamos todos tão absortos neste mundo cruel e desumano que qualquer possibilidade de encontrar algo diferente disso nos encanta, nos deixa maravilhados… E esse é o princípio da fidelização. É o encantar, o maravilhar, o despertar de paixões, ainda que secretas e disfarçadas.

Um tiro que saiu pela culatra e acertou o alvo. Talvez esta seja a melhor definição para esta publicidade da Farmácia Fulana de Tal. Foi desejando a saúde, quando se precisa da doença, que a farmácia conseguiu emplacar, discretamente, um sentimento de segurança e carinho por parte de seus clientes. Obviamente que tudo isso foi feito sem nenhum tipo de estudo ou conhecimento de marketing. Mas funcionou! E é por isso que não se deve desprezar completamente o marketing informal, esse feito por pessoas sem preparo, sem grandes intenções. Às vezes a sabedoria popular sobrepõe-se à sabedoria dos livros! E isso é incontestável… Basta olhar o exemplo da farmácia.

Desejar tudo de bom tem o seu lado positivo, sobretudo no mundo secreto do marketing. Afinal, o marketing alimenta-se de mensagens nem sempre declaradas mas facilmente percebidas e sentidas pelas pessoas. E é exatamente isso que gera o lucro tão sonhado pelas empresas, não importa quais sejam os produtos ou serviços oferecidos.

E, por fim, voltando ao mundo humano, desejar boas coisas para outros tem o seu lado positivo. Afinal, é alimentando nossa mente com boas coisas que poderemos fazer o bem. Ainda que seja apenas por um momento, seria bom que todos desejassem mesmo o melhor para todo mundo e, acima de tudo, que agissem desta forma. Faça com que as pessoas vejam a verdade nas suas palavras, mostrando que suas ações são sinceras e humanas. Não seja só mais um impelido a dizer algo que não deseja ou não pode cumprir. Seja o “tudo de bom” que você desejou para todas as pessoas ao seu redor!

Anúncios

O que é CRIATIVIDADE?

Afinal, o que é essa tal CRIATIVIDADE? Definir criatividade é algo tão difícil quanto dizer quantos grãos de areia existem em uma praia. São tantos os conceitos que seria utópico demais escolher uma única definição para criatividade, tamanha a amplitude do seu significado.

No entanto, para entendermos melhor o que é a criatividade, convém entendermos a origem da palavra. Que tal?

A palavra criatividade vem do latim creatus, que significa criar, do verbo infinitivo creare. E, de acordo com o dicionário Houaiss, criatividade pode ser definida como “a qualidade ou característica de quem […] é criativo; inventividade; inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar”.  O dicionário Aurélio define criatividade como “capacidade criadora, engenho, inventividade; capacidade que tem um falante nativo de criar e compreender um número ilimitado de sentenças em sua língua.”

Com estas definições, fica mais fácil começar a formar nosso conceito do que vem a ser a CRIATIVIDADE. Em termos simples, a criatividade é a capacidade que o indivíduo tem de criar algo.

Porém, cabe uma pergunta: Apenas quem cria algo é criativo?

Na verdade não! Perceba que uma das definições de criatividade envolve também a engenhosidade e a inovação, ou seja, a criatividade não necessariamente indica criar algo novo, simplesmente do nada. Baseados nesta ideia é que muitas pessoas acham que não são criativas, pois imaginam que é necessário criar algo muito diferente do que já temos no mundo para serem considerados pessoas criativas. E é totalmente o contrário! Todas as invenções e descobertas do mundo de hoje são baseadas em algo que já existe, em algo que alguém criou com base em outras coisas que já existiam. Sendo assim, todas as pessoas podem apresentar certo grau de criatividade, pois ela é uma característica nata de todos os seres humanos. Mas este tópico iremos abordar em um post futuro, ok?! Muita calma nessa hora… rsrs…

Voltando à definição de criatividade, vemos que a engenhosidade e a inovação fazem parte deste conceito. A engenhosidade é aquela capacidade que temos de “dar um jeitinho” nas coisas para que elas estejam mais ao nosso modo, ao nosso jeito, usando nossas habilidades para criar ferramentas ou adaptar as situações ao nosso gosto, principalmente quando nos falta um recurso. Um exemplo de engenhosidade é aquele da cozinheira que adapta suas receitas na falta de um ingrediente. E é da engenhosidade que surge a inovação. Afinal, a inovação nada mais é do que fazer algo de um jeito diferente, igualmente ou até mais eficiente do que o jeito anterior. Ainda no caso da cozinheira, a falta de um ingrediente foi reparada com a sua engenhosidade, adaptando um outro ingrediente similar ou equivalente e uma nova receita pode ter surgido desta experiência. Pode-se dizer então que é uma cozinheira criativa pois ela conseguiu resolver uma situação com engenhosidade e, por que não dizer, até mesmo com inovação.

Todos nós temos comportamentos criativos, mas não dos damos conta disso, simplesmente por não entender exatamente o que é ser criativo. Esperamos demais de nós mesmos! E desperdiçamos ideias criativas a todo momento por achar que tais ideias não são criativas ou são “doidas” demais. Então, antes de rejeitar uma ideia no seu cotidiano, analise friamente esta ideia, talvez você esteja diante de um processo criativo que pode ser muito produtivo e útil. Não desperdice suas ideias logo de cara! Analise-as sob outro olhar.

Antes de achar que o cara que colou uma câmera fotográfica em seu celular com um elástico de dinheiro, analise a ideia por outro ângulo. Afinal, esta foi a ideia que ele teve para resolver um problema que tinha. E isso é criatividade, no seu mais pleno sentido! Mesmo que alguém lhe diga que sua ideia não é boa o bastante, ignore. Ou você acha que a primeira vez que alguém falou que ia colocar uma câmera em um celular foi logo aceito como uma boa ideia? Antes de descartar sua ideia, analise-a, de verdade, analise tudo com outros olhos e veja se outras pessoas poderiam se interessar pela sua ideia.

Por ora é isso!! Já entendemos um pouco do que é a criatividade. Mas isso é só a ponta do iceberg. Ainda há muito para entendermos. No próximo post irei falar sobre a origem da criatividade, como ela se manifesta no nosso cotidiano e quais são os fatores que podem fazer uma pessoa ser mais ou menos criativa.

Até lá!

Celular com Câmera

E quem há de dizer que o cara que fez isso não foi criativo?