Teoria Geral de Sistemas

TEORIA GERAL DE SISTEMAS

 

            As organizações são muito mais complexas do que aparentavam ser nas teorias desenvolvidas anteriormente por Taylor, Fayol, Weber, Mayo e outros. Fez-se necessário uma abordagem muito mais abrangente, que analisasse as organizações sob uma ótica mais ampla, levando em consideração não apenas os fatores internos da organização, mas também os fatores externos, como fatores de mercado, por exemplo.

            Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os países perceberam que eram dependentes uns dos outros e que estavam interligados através de políticas econômicas mundiais, regras, leis, comércio e fenômenos sociais de influência mútua. Todos os países faziam, então, parte de um sistema global e uma modificação em uma das partes do sistema causava reflexos nas demais partes que compunham o todo.

            Alguns cientistas chegaram à conclusão de a ciência costumava analisar os problemas de forma muito segmentada, quando na verdade, alguns problemas exigiam uma abordagem mais ampla. Observou-se também que alguns intelectuais estavam desperdiçando seus esforços em estudar fatos que já haviam sido estudados em outros ramos do conhecimento. Chegou-se então à conclusão de os diversos campos do conhecimento eram parte de um sistema maior e que algumas regras gerais poderiam ser aplicados à todos os campos do saber. Desejava-se, então, definir um corpo único da ciência, que integrasse todas as abordagens já apresentadas e estudadas até o momento. Desta forma, a lógica reducionista (dividir o todo em partes), utilizada em diversos ramos do saber, tais como Administração (especificamente no caso de Taylor), Física, Química, Biologia e Psicologia, passou a dar lugar para o expansionismo, que defende a ideia de que todo fenômeno é parte de um fenômeno maior.

            A Teoria Geral de Sistemas (TGS) teria então a função de abrigar os princípios gerais (físicos, biológicos, sociológicos, químicos e outros) e proporcionar modelos gerais para todas as ciências envolvidas, sendo então uma teoria interdisciplinar, de modo que as descobertas de cada uma das áreas do conhecimento pudessem ser utilizadas pelas demais áreas. Desta forma, a TGS baseou-se em três abordagens e teorias, para se chegar a um resultado final. São elas:

  • Teoria Geral de Sistemas: criada pelo biólogo Ludwin Bertalanffy em 1937.  Seu foco não era a Administração em si, mas sim a integração das ciências existentes para a compreensão e o manejo da realidade genérica. A primeira ideia de Bertalanffy era que todos os sistemas são formados por partes que são interdependentes. A segunda ideia central de sua teoria era a necessidade de se aplicar diversos enfoques para entender e lidar com uma realidade cada vez mais complexa.
  • Teoria da Forma ou Gestalt: abordagem proposta pelos psicólogos alemães Wertheimar, Koffa e Kohler, em 1912. Para a Gestalt, a natureza de cada elemento do conjunto é definida pela estrutura e pela finalidade do conjunto. Esta teoria possui um enfoque integrativo, onde o homem não é apenas uma parte do seu ambiente, mas, sim, está entre outros homens, junto com a natureza. Desta forma, há todos ou totalidades e seus comportamentos não são determinados por seus elementos individuais, mas sim pela natureza intrínseca do todo;
  • Cibernética: criada pelo matemático Norbert Wiener, na década de 1940, a Cibernética surgiu após pesquisas de desenvolvimento de mísseis autocontrolados. A ideia central da pesquisa era a de que todo sistema deve ser autocontrolado por meio de algum fluxo de informação que lhe permita manter sempre o funcionamento desejado. Wiener estabeleceu assim princípios que poderiam ser utilizados no autocontrole de diversos sistemas, a saber: (1) o sistema sempre procura atingir um objetivo; (2) o sistema recebe informações contínuas sobre o comportamento do objetivo e do próprio sistema, de forma a propiciar o ajuste; (3) o sistema deve estar organizado de forma a obter e processar informações sobre o seu comportamento e seu objetivo; e (4) o feedback é o mecanismo que fornece informação sobre o desempenho do sistema.

          Destas três abordagens, obtém-se a ideia de que um sistema, seja ele qual for, só tem sinergia quando o resultado da interação entre as partes é maior do que a mera soma dos componentes do sistema.

          Os componentes básicos de um sistema são:

  • Objetivo: é a finalidade, a razão de ser do sistema;
  • Entrada: obtida no meio ambiente onde o sistema está inserido, é o que alimenta o sistema;
  • Processo de transformação: é a modificação feita pelo sistema no material inserido nele, podendo gerar um produto, serviço ou resultado (saída);
  • Saída: é o resultado do processo de transformação, o resultado que será devolvido ao meio ambiente para influenciá-lo;
  • Retroalimentação (feedback): é a re-introdução de informações geradas pelo próprio sistema como forma de avaliação do processo de transformação;
  • Ambiente: o meio onde o sistema está inserido;
  • Subsistemas: as partes menores do sistema.

           Um sistema pode ainda ser classificado de acordo com a sua interação com o meio, podendo ser um sistema aberto (que interage com o ambiente) ou um sistema fechado (que não interage com o meio).

          Neste contexto, as empresas devem ser consideradas sistemas abertos, pois necessitam da constante interação com o meio no qual estão inseridas, como forma de se obter insumos para sua entrada e oferecer o resultado de sua saída para ser absorvido e consumido pelo meio. Nenhuma empresa sobreviveria se ela se transformasse em um sistema fechado, sem qualquer tipo de interação com o meio e com outros sistemas. Desta forma, a empresa é um sistema que pode ser visto como um todo e, ao mesmo tempo, como parte de um sistema maior e mais complexo, que é o ambiente externo no qual está inserida. Com isso, a atividade de qualquer segmento de uma organização afeta a atividade de outros segmentos, em maior ou menor grau.

          A abordagem sistêmica permite, então, que os gestores planejem suas ações a curto e longo prazo, analisando o impacto exercido sobre o sistema ao longo do tempo, bem como obtenham o manejo adequado de situações não-previstas.

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